Onde participei do Café intercom, evento realizado pela Fnac em parceria com a Intercom.
O pape-papo foi entre o jornalista e professor José Marques de Mello autor do livro “Jornalismo, Compreensão e Reinvenção” e de mais de uma dezena de livros na área e Tomás Barreiros, especialista em Língua Portuguesa, mestre em Comunicação e Linguagens, diretor regional Sul do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo e presidente do Instituto Cultural de Jornalistas do Paraná.
O assunto girou em torno do Livro do professor José, que fala das mudanças no jornalismo ocorrida nos últimos anos.
O autor possui 50 anos de jornalismo.
Mas não pense que a conversa girou em torno do "no meu tempo as coisas eram assim ou assadas" a fala do professor é totalmente voltada para questões contemporâneas e futuras no campo jornalístico e seu papel na sociedade.
O meu objetivo aqui não escrever uma resenha do evento, cito aqui alguns pontos interessantes dessa conversa. Os tópicos não são literalmente o que disse o professor, são impressões minhas sobre o assunto conversado.
1. O jornalismo continua com praticamente a mesma proporção de leitores que tinha no passado. O Brasil cresceu, mas os jornais não ganharam novos leitores, ele é acessado por uma elite, pois ele não fala a língua da maior parte da população, por isso as pessoas não lêem jornal.
2. Quando diz que o jornal não fala a língua da população, o professor não quer dizer que o jornal precisa baixar seu nível de linguagem, mas sim que precisa criar mecanismos para conquistar a atenção do público e quando ele se tornar cativo, ir tornando as matérias mais elaboradas do ponto de vista da linguagem e da cultura, ele deve evoluindo com o leitor e não escrever numa linguagem complexa logo de cara, pra um leitor que possui um nível cultural limitado devido a realidade do nosso país.
3. Um dos pontos abordados é que para se tornar atraente para a maior parte da população, o jornal precisa explorar mais o jornalismo utilitário (de serviço). O leitor precisa sentir que o jornal é útil na vida dele. O jornal deve se aproximar do cotidiano das pessoas. Ele cita como exemplo os jornais de bairro, que fazem sucesso entre os moradores das camadas mais pobres, pois estão próximos da realidade das pessoas e participam do cotidiano delas.
4. O professor também fala que os jornais não devem se esquecer dos nichos, de continuar produzindo material de qualidade e mais aprofundado para atingir um publico mais aculturado que se interessa em ler matérias que analisam os assuntos da semana.
5. As novas mídias não vão 'matar' os jornais, porém elas estão causando mudanças na forma como este é visto e consumido pela sociedade. Ele cita que quando houve o surgimento do radio também se pensou que este acabaria com os jornais, visto que sua abrangência e rapidez para levar a informação são maiores. Mas isso não correu pelo fato das mídias serem complementares e não concorrentes.
6. Falou-se sobre a influência do formato do jornal na leitura, a conclusão é que estudos de acordo com cada localidade poderão identificar qual formato melhor se aproxima da realidade das pessoas, que farão com que ele se sinta melhor consumindo.
7. Sobre o fim da obrigatoriedade do diploma: O professor se posicionou contra do ponto de vista que outras profissões no Brasil possuem a obrigatoriedade de diploma e outras não e isso gera certa confusão, e porque o jornalismo deve ficar de fora.
E a favor do ponto de vista que isso fará com que as faculdades melhorem a qualidade do ensino e causará o fim das fábricas de diploma, visto que as faculdades que melhor formarem os profissionais conseguiram mais alunos por sua referência em ensino e não por prometer diploma fácil.
8. Ainda sobre a formação, disse acreditar que as empresas continuaram a contratar primando pelo diploma e citou alguns veículos que se posicionaram como sendo a favor do diploma, e também a qualidade do ensino e da formação do aluno será o referencial do mercado e que os bons profissionais continuaram se destacando e obtendo sucesso.
9. O professor falou que faz parte da comissão que avalia a qualidade do ensino do jornalismo no Brasil, e que estão sendo providenciadas mudanças para melhorar a formação e a não obrigatoriedade do diploma pode ser considerada o primeiro passo desse processo.
10. Para concluir, falou que o problema da formação, está no fato de a faculdade, que deveria ser a vanguarda da sociedade, acaba ficando a reboque dela. Que as faculdades se distanciaram da realidade das empresas. Que o aluno quando entra pra faculdade de jornalismo percebe essa defasagem e desanima. Que a rápida expansão da sociedade e da oferta de vagas não for acompanhada pela academia, não houve uma melhor formação e preparação dos recursos humanos das instituições.